O que Belchior pode ensinar em tempos pós-modernos?

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Na coluna de hoje não quero lhe falar das coisas que aprendi nos discos, tratarei primeiramente do que é a Pós-Modernidade, traçando, pelo método indutivo, o que trechos de músicas do saudoso Belchior poderiam nos ensinar sobre estes tempos tão incertos.belchior-socorro-1977-sem-dinheiro-no-banco

A priori, acho importante, também, contextualizar como surgiu a ideia para o texto. Estava ontem na faculdade conversando sobre política e segurança pública com um colega que é da Polícia Militar. Ambos concordamos que a situação com a Reforma da Previdência, as velhas caricaturas políticas estão batidas e que temos certa descrença quanto ao sistema vigente. Discordamos, talvez, pois não ficou muito claro (pelo menos pra mim), na medida de como a segurança pública poderia ser melhorada. Eu indaguei a educação e ele dar mais capacidade da Polícia trabalhar. Concordo, pois, se não der, seria a mesma coisa que pedir pra um pedreiro construir um prédio sem tijolos.

 

“Mas quando entra Belchior nessa história”. Entra quase agora, numa noite de insônia, escuto alguma música que não me recordo e me pego indagando: ” O que é que pode fazer o homem comum/Neste presente instante senão sangrar?”. Mas, primeiramente, vamos contextualizar o que é a Pós-modernidade.


Pós-Modernidade


Talvez essa seja uma tiuria que estou interessado. Serei o mais breve e incisivo possível. No final do Século XVIII, há a quebra do modelo de Estado Absolutista, tendo início o Estado Liberal/Burguês/Moderno. Podemos elencar as Revoluções Francesa e Americana e época em que as coisas poderiam ser definidas como “permanente, estável, ordenado, disciplinado, individual, racional, comprovado, certo, definido, científico, deduzido, vertical, único, central, duro (BITTAR, ALMEIDA, 2008,  p. 636)”.

 

Apesar de Nietzsche, já no século XIX, dissertar que o modelo moderno está fadado à falência, para fins didáticos, teremos o ano de 1968, mais especificamente o mês de maio. Era época de grande efervescência sociocultural, que rompera muitos paradigmas modernos (BITTAR, ALMEIDA, 2008,  p. 635), trazendo novas ideias de contraponto às vigentes, sobre a educação, a sexualidade e o prazer. A título de exemplo:

  • Movimento estudantil francês: a tentativa do governo e parar o movimento levou a um conflito de grandiosas proporções, desembocando numa greve geral de estudantes e ocupações de fábricas em toda a França, aproximadamente dois terços dos trabalhadores franceses, aderiram, quase dez milhões de trabalhadores. Os protestos levaram o General Gaulle marcar novas eleições;

    maio-68-contre-la-repression
    Protestos do Maio de 1968 na França.
  • No Brasil, era plena época da ditadura militar. Alguns dos fatos de um ano conturbado em ordem cronológica:Ato Institucional 5 -AI-5 presidente costa e silva
  1. Morte do estudante Edson Luís por policiais militares, na invasão do Restaurante Calabouço no centro do RJ;
  2. Lançamento do Tropicalismo;
  3. Passeata dos 100mil;
  4. Presidente Costa e Silva determina a proibição de manifestações;
  5. Espancamento do elenco da peça ‘Roda Viva’ de Chico Buarque pelo Comando de Caça aos Comunistas;
  6. AI-5.

A pós-modernidade pode ser definida como:

(…) processo de ruptura como modo de se diferenciar e de se designar com clareza o período de transição irrompido no final do século XX, que tem como traço principal a superação dos paradigmas erigidos ao longo da modernidade. A pós-modernidade tem, pois, a ver com a crise da modernidade e com a necessidade de revisão da modernidade. (BITTAR, 2009, p. 105,106).

 

Se o que era permanente, estável, ordenado está em revisão, podemos chegar a uma conclusão: são tempos incertos. A Modernidade, portanto, é o pai da Pós-modernidade. Mas espera…


“E onde Belchior entra?”


Na verdade, é onde Belchior termina:

Minha dor é perceber
Que apesar de termos feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como nossos pais…
Ou seja, depois tantas lutas, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais. As aparências não enganam, nossos ídolos ainda são os mesmos, apesar de tanta luta e aparentes mudanças sociais. Vivemos como nossos pais.

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Eduardo de Carvalho

Graduando em Direito pela Universidade Regional do Cariri - URCA. CEO do Jurisdicional.com.
 

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